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| Em entrevista, Luis Nassif discute o uso da internet nas eleições |
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| Ter, 08 de Junho de 2010 16:49 | |
Jornalista da área de economia, Luis Nassif passou por grandes veículos de comunicação, como a Revista Veja e o Jornal Folha de São Paulo. Hoje é blogueiro – foi um dos pioneiros do jornalismo em blogs – e vê a internet como um contraponto importante ao poder da "velha mídia". Nassif já se envolveu em uma série de situações controversas. Por exemplo, o processo que está sofrendo por artigos que escreveu em 2007 criticando o tipo de jornalismo que é feito na Veja. Nassif afirma também ter sido vítima do que ele chama de “tentativa de assassinato de reputação” por parte de blogueiros ligados a grupo político. Esses assuntos são citados frequentemente, tanto na entrevista que concedeu para a gente como na palestra que deu aqui na UFMG sobre Jornalismo e mídias sociais na última terça-feira, dia 01/06. Aproveitamos que ele esteve por aqui para saber o que ele pensa do uso da internet nessas eleições de 2010. Outras Palavras - O que o uso de ferramentas virtuais como blogs, sites, e-mails e redes sociais m possibilitar para as campanhas eleitorais que a televisão e o rádio não podem Luiz Nassif - Quando você pega televisão, rádio e jornais, eles estão focados, eles assumiram uma candidatura, então, dão só um ângulo da questão. E no jornalismo você não tem a informação objetiva assim. Dependendo da ênfase que você dá para um ponto ou para outro, você direciona a opinião pública. Só para dar um exemplo, tempos atrás todos os jornalistas tinham informações que a Dilma estava na frente e que passaria o Serra. Essa era a informação. Quando você lia os jornais, eles davam notas dizendo que a campanha estava em crise, dizendo que a campanha só dava fora. Daí a internet vem e mostra os foras da campanha do Serra. Então, o leitor, que estava acostumado a receber só uma informação, confronta outra e percebe a manipulação na hora. Então, eu diria que nessa primeira fase de consolidação da internet o grande papel dela é fazer o contraponto dos jornais e desmistificar, digamos, as manipulações de edição. Nisso a internet tem conseguido um bom resultado. OP - Essas ferramentas possibilitam ao eleitor interagir com o candidato. Como você vê isso? LN - É uma encenação, né. O twitter do Serra, por exemplo, aquele negócio de passar como o avozinho amoroso, com o linguajar jovem, aquilo não pega, né. Eu duvido que a verdadeira Dilma apareça no twitter também. Então, na verdade são personagens que se fazem passar pelos candidatos. O twitter permite alguma intimidade, mas se o candidato torna-se íntimo a ponto de fazer demagogia pelo twitter, também não sei se é uma boa estratégia. O que eu vejo de eficácia para o twitter é como transmissor de informações de posts dos diversos blogs que tem por aí. OP - O que podemos esperar que essa eleição tenha de diferente das outras eleições devido ao uso de ferramentas virtuais? LN - Olha, em 2006, nós éramos quatro, cinco blogueiros investindo contra essa maluquice da mídia. Eu lembro uma vez que eu dei uma entrevista para o Vermelho falando sobre o suicídio da mídia, falando a loucura que era a mídia querer derrubar um presidente. Por que se não consegue derrubar, é derrotada. Se derruba, ela seria acusada de todos os males do país. Uma vez eu encontrei uma pessoa que me disse: “minha avó leu sua matéria no interior do Piauí”. Mas como assim no interior do Piauí? “Ah, o padre da paróquia de lá imprimiu e distribuiu para os fiéis”. Você rompeu ali aquele controle de informações que vinha antes. Antes da internet tinha o que? Você tinha três jornais fortes, uma revista, televisão que davam um tipo de opinião que espalhavam aquilo espalhava para outros jornais, rádios e telejornais e a partir daí espraiava para toda opinião pública. Hoje não tem mais isso. Hoje você tem o contraponto, você não tem mais aquela capacidade da imprensa de manipular dados, de assassinar reputações de forma impune. Hoje esse papel a internet já tem: de ser um anteparo ao poder absoluto da velha mídia. OP - A legislação eleitoral é eficaz o suficiente para combater crimes eleitorais na internet? LN - Quando você tem ataques à reputação, você tem uma legislação que é um pouco demorada, mas consegue. Agora, vamos pegar o que a imprensa tem feito esse tempo todo de dossiês, de ataques e tudo. É um alinhamento monumental. Você pode ver: o que é o conjunto de informações que o leitor/telespectador recebe? Ele recebe as informações que os jornais passam. Quando você soma tudo o que saí na grande imprensa: a soma das notícias negativas e do alinhamento da imprensa com uma das candidaturas é massacrante em relação às noticias positivas. Então, para a legislação eleitoral ter o mínimo de eficácia, ela tem que ver o conjunto dos órgãos disseminadores de opinião. Ela vai interferir nos jornais? Você tem concessões de televisão que os caras usam para dar informações partidarizadas. Alguns jornais têm predomínio no mercado de opiniões e dão uma informação enviesada. A internet é o único campo que você não tem esse enquadramento, então o que tem que se preocupar na internet são os ataques à reputação, são os dossiês, calúnia, injúria, difamação. Existe essa imagem da internet como algo indisciplinado, caótico e tudo, mas, se você olhar, as maiores baixarias vem de blogs ou de comentaristas de blogs ligados a grandes jornais. OP - Você acredita que o uso de ferramentas virtuais terá um grande peso nessas eleições mesmo levando em consideração que no nosso país grande parte da população não tem acesso a internet? LN - Sim, muito. Os jornais tinham um peso monumental até agora e a parte da população que lê jornal é mínima também. Você tem os formadores de opinião, eles pegam as informações e disseminam, outros blogs disseminam, quem lê dissemina no seu meio. Então, hoje, efetivamente a internet é uma formadora de opinião. por Thais Marinho
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